







WILTON, 15 anos, escreve:
No dia 16 de
setembro de 2007 tivemos a oportunidade de conhecer a estação de trem de
Caucaia que fica entre uma linda mata, embora uma parte dela tenha sido
devastada.
Andamos quilômetros de distância até entrar na mata. Fomos acompanhados por
monitores que, com maior disposição, nos ensinaram como sobreviver na mata,
caso fiquemos perdidos. Ensinou-nos que no cipó das árvores, podemos
encontrar água (pouca) mas que alivia nossa sede.
Lanchamos e prosseguimos com nossa caminhada para chegar à represa. Foram
mais alguns quilômetros e, chegando perto, pudemos avistar uma parte da mata
queimada, muito lixo no caminho e também algumas árvores que estavam
marcadas com sacolas plásticas e outros materiais que pessoas colocam para
marcar o caminho, importando-se somente consigo mesmo e não dando a mínima
para os animais que possam consumir estes lixos, muitos deles até morrem.
Enfim, chegamos na represa e outra vez nos entristecemos em avistar o nível
da água baixo, pois fazia um tempinho que não chovia.
Paramos para descansar e logo voltamos, pois afinal a tarde já estava se
despedindo mas o sol continuara a nos acompanhar durante todo o retorno.
Em minha opinião não encarei a caminhada somente como um passeio e sim como
uma missão pois a partir dali eu já estava consciente que mais uma mata e
que mais vidas estavam em perigo, já que mais uma vez o homem que se diz ser
humano, estava acabando com tudo e principalmente com nossas vidas.
E sozinho temos
certeza que não conseguiríamos alcançar nosso objetivo de melhorar a
situação do nosso planeta, mas sim semear uma semente de amor, no coração
daqueles que tem esperança de mudança !!!
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Fernanda, 10 anos, escreve:
Em setembro fomos à Reserva do Morro Grande.
Nossa aventura durou mais ou menos 6
horas;horas inesquecíveis.
Andamos bastante no meio da mata e perto da
linha do trem.
Gostei da aula de sobrevivência na selva que
nossos guias nos deram; e por outro lado fiquei muito triste ao ver a realidade:
o que a falta de chuvas faz. A seca judia da mata, dos animais,a represa fica
sem água!
Também achei horrível saber que ainda existe
caçadores nessa mata. Encontramos um na represa que falou que costumava caçar
naquela região.
Mas o que adorei foi a companhia nesta
caminhada, da Renata,do Wilton, de meus pais e dos nossos dois guias.
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RENATA, jurídico, escreve:
Estou muito feliz em iniciar esta nova coluna com nossos dois queridos
diretores mirins, que são empenhados, curiosos e persistentes, verdadeiros
disseminadores de informações e ativistas em prol de um ambiente melhor para
todas as formas de vida!
Procurarei sempre propor atividades interessantes a eles, bem como
participaremos e incentivaremos suas próprias sugestões.
Bem, em relação à nossa primeira atividade, gostaria de trazer algumas
informações sobre a Reserva do Morro Grande, as quais serão totalmente
pertinentes para um novo assunto que tratarei em seguida.
A Reserva Florestal do Morro Grande é uma área de 10.600,11 ha, na região de
Cotia (34 Km do centro de SP), recoberta por florestas, notadamente
secundária, de mata atântica (floresta ombrófila densa montana).
Foi reconhecida legalmente desta maneira por meio da
lei estadual n.º 1.949/79, sendo que a área protegida corresponde às
cabeceiras do Rio Cotia. Importante de se ressaltar que, desde 1916, quando
foi iniciada a construção das barragens das represas de Pedro Beicht e,
posterioemente, da Cachoeira da Graça, é explorada como manancial de
abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, sendo que as duas
represas formam o Sistema Produtor Alto Cotia, responsável pelo
a-bastecimento de cerca de meio milhão de pessoas na citada região, segundo
dados fornecidos pela SABESP, que possui a jurisdição do local.
Também foi tombada pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio
Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), por
meio da resolução n.º 21, de 20.06.1981, levando-se em consideração,
especialmente que, no aspecto paisagístico e ecológico, representa uma das
últimas massas florestais nativas da região metropolitana de São Paulo,
particularmente do vetor oeste-sudoeste e, por isto mesmo, importante área
de refúgio da fauna das matas tropicais, ameaçada de extinção, conforme se
pode depreender do processo de tombamento.
Além de sua importância estratégica como protetora de mananciais, a Reserva
do Morro Grande é uma das áreas-núcleo da Reserva da Biosfera (1) do
Cinturão Verde da cidade de São Paulo, considerada pela UNESCO como área de
alta relevância ecológica e humana.
Apesar de toda a importância da Reserva do Morro Grande, demorou-se um pouco
para que os primeiros trabalhos científicos sobre o local fossem elaborados
e publicados. Isso ocorreu apenas a partir de 1992, sendo que os primeiros
levantamentos de fauna e flora datam de 2004 (sendo que o mais atualizado e
recente levantamento da avifauna local foi publicado apenas em 2006).
Porém, apesar da citada demora, importantes dados foram levantados pelos
trabalhos realizados. Em relação à fauna local, citamos alguns dos
importantes registros de ocorrência:
- 108 espécies de abelhas;
- 461 espécies de borboletas;
- 18 espécies de sapos;
- 4 espécies de lagartos;
- 198 espécies de aves;
- alguns dos mamíferos: gambá, tatu-galinha, sagüi, mico-estrela, bugio,
cachorro-do-mato, gato-do-mato, coati, mão-pelada, irara, veado, preá,
capivara, esquilo, ouriço-caixeiro, tapiti, lebrão, dentre outros.
Importante de se reassaltar que, algumas das espécies observadas são
totalmente ameaçadas de extinção (13 das espécies de aves, por exemplo), bem
como algumas são de ocorrência exclusiva no local.
Pois bem, expostos alguns dados, os quais comprovam a suma importância
ambiental da Reserva do Morro Grande, damos razão total aos nossos diretores
mirins que, em nossa caminhada, puderam constatar alguns dos problemas que a
região tem enfrentado, como a caça (que diga-se de passagem já foi a
responsável pelo "sumiço" de algumas espécies da região, como por exemplo o
jacu e a jacutinga), o lixo e o baixo nível das reservas de água.
Tais probelmas deveriam e devem ser resolvidos pela SABESP (que tem a
jurisdição do local), pelo Instituto Florestal (Secretaria Estadual do Meio
Ambiente de SP) e pelo IBAMA (já que, áreas situadas ao redor dos
reservatórios de água naturais ou artificiais, nas nascentes, topos de
morros, montanhas e serras, consideradas legalmente como áreas de proteção
permanente estão sob os cuidados deste órgão federal), além de, é claro,
toda a população do entorno da reserva.
Além disso, não bastassem os problemas já citados, a região vem mais uma vez
sendo cobiçada pelo governo federal como área propícia para a construção de
um aeroporto. Todo o planejamento vem sendo feito de forma sigilosa e a
população local, bem como ambientalistas e todo e qualquer cidadão
interessado não tem tido acesso a qualquer informação, demonstrando mais uma
vez que a tão falada gestão participativa que o atual governo usa e abusa em
seus discursos, são mais um vez meras citações não fáticas.
Logicamente que a idéia de um aeroporto na região de Caucaia do Alto
(entorno da Reserva do Morro Grande) é algo totalmente inviável, pois além
de todo o impacto ambiental e de vizinhança que gerará, o que por si só já
justifica a impossibilidade de tamanha insanidade, de se ressaltar que a
região apresenta constantemente forte neblina, o que inviabilizaria vôos em
determinados horários praticamente todos os dias, além de, é claro, mais uma
vez colocar-se em risco a vida dos usuários do transporte aéreo, o que
parece também ter sido um dos objetivos constantes do governo federal.
Assim, clamamos desde já, para que, mais uma vez, a sociedade civil esteja
unida e se una contra esse despautério do governo federal. Nossa campanha
começa aqui e não sossegaremos até que consigamos o descarte total de
tamanha idéia destrutiva.
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(1) A Reserva da Biosfera é uma figura instituída pela UNESCO
para abrigar uma rede de áreas, no globo, de relevante valor ambiental para
a humanidade. Representa um forte compromisso do governo local, perante seus
cidadãos e a comunidade internacional que realizará os esforços e atos de
gestão necessários para preservar essas áreas e estimular o desenvolvimento
sustentável, dentro do espírito da solidariedade universal.
A Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo é atualmente
coordenada pelo Instituto Florestal da Secretaria do Meio Ambiente do Estado
de São Paulo.