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Página Inicial Cotia-SP, 19 de Maio de 2019



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Darshan - Leão



A História de Darshan


No final do mês de fevereiro de 2007, Marcelo, estudante de medicina veterinária em Vitória-ES, e que estagiou no Rancho dos Gnomos no mês de janeiro do mesmo ano, relatou-nos a existência de um leão na cidade de Cariacica-ES, o qual vivia em um frigorífico desativado.

Pouco após ter feito o relato, conseguiu-nos algumas fotos, as quais de fato deixaram-nos muito preocupados, já que estava notória a situação de magreza do animal, bem como de insalubridade da tão inadequada jaula onde estava vivendo.

Tratava-se de um leão que houvera sido doado por um circo, 13 anos atrás, ao dono do então frigorífico, em troca de uns restos de carne para os outros leões mantidos no circo enquanto perdurasse sua estadia naquela cidade (e aqui podemos imaginar por quantas outras cidadezinhas, que nem ao menos sabemos da existência, esse circo deve ter passado também e espalhado os descendentes desses leões).



Seguindo-se ao relato de Marcelo, no início do mês de março de 2007, muitos foram os e-mails que recebemos denunciando a situação, inclusive porque naqueles dias havia sido publicada em um jornal local a foto do animal tirada e denunciada por um morador.


Bem, como sempre, a vontade imediata (emoção) é partir para libertar o animal da situação de crueldade, mas, com a cabeça no lugar (razão), esbarramos nos problemas: Como trazer o animal? Onde colocá-lo? E para alimentá-lo? Medicamentos? Pois é... apenas para uma idéia inicial de custos, o recinto com o mínimo de bem estar para um animal destes (já que bem-estar de verdade só existiria se ele estivesse livre em seu habitat natural, nunca tendo tido contato com a crueldade humana) é orçado em torno de R$ 32.000,00 e o custo com alimentação mensal para cada leão é de cerca de R$ 600,00. Esse é o básico, pois não podemos nos esquecer de que esses animais sempre chegam com a saúde totalmente debilitada e necessitam de caríssimos medicamentos.

Alguns contatos telefônicos mais foram feitos conosco, com promessas de ajuda para transporte, recinto e alimentação, que ao início até nos trouxeram alguma esperança. Ao mesmo tempo, a sempre parceira Nina Rosa Jacob contatou-nos, pois também recebera e-mail relatando a situação do leão que então era chamado de Simbá, e se comprometeu com a parceria na construção de um recinto de quarentena para que pudéssemos, assim, retirar o animal o mais rapidamente possível do local em que se encontrava.

Correria formada para tentar libertar o leão de seu martírio de 13 anos. Providenciamos um ofício para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente, que teve como seu ponto mais alto o esboço de toda a legislação que poderia ser aplicada ao caso, a fim de que a citada secretaria desse ao menos apoio na fiscalização e dali se originasse um laudo oficial corroborando tudo o que nas imagens já se era possível ter certeza. Bem, se dependêssemos ao menos de uma resposta, até hoje estaríamos esperando. Lamentável.

Como o caso era de aparente urgência e nada de pronta resposta ao ofício enviado, como nos houvera sido prometido, já no dia seguinte tratamos de fazer contato com o escritório do IBAMA de Vitória para saber de fato qual era a situação legal do animal.

Fomos informados que o dono do antigo frigorífico havia ficado como depositário do animal e que, em 13 anos, não havia regularizado a situação. (culpa de quem?)

Expusemos nosso anseio em poder retirar o animal do local, tendo-se em vista a notória irregular situação de fato e de direito, requerendo para tanto a expedição de toda documentação necessária para tal mister, tendo o atencioso técnico Vinicius, do Ibama local, garantido com presteza esta expedição.

Situação legal praticamente resolvida, agora nos restava de fato viabilizar a ida da equipe do Rancho dos Gnomos ao local para a realização de todos os procedimentos necessários. Concomitantemente, algumas orientações também eram repassadas em uma tentativa de fortalecimento do animal até a data da viagem.

Ficamos felizes, pois nos veio a notícia de Vitória que o transporte já estava todo acertado, tanto para o animal, quanto para a equipe, havendo inclusive um plano B, caso houvesse alguma falha.

Porém, os dias vão se passando e nada mais de certezas, que outrora haviam nos sido dadas. Aqueles que prometeram ajudar, agora faziam-nos cobranças. (interessante, né?)

Como a equipe do Rancho dos Gnomos já estava comprometida e obstinada em realmente resgatar o leão Simbá, sem tempo para pensar em vaidades de determinados grupos, ou de quem seria procurado por imprensa, ou ainda mesmo qualquer outro sentimento maléfico típico dos seres humanos, mas apenas e tão somente preocupada com O ANIMAL (pequeno desabafo no meio do texto...), começou-se uma tremenda maratona para, em tempo recorde, tentar-se organizar e viabilizar a ida da equipe para o Espírito Santo, bem como o transporte do leão para cá. Sim... apenas 2 dias para acertar-se tudo.

Após diversas estressantes tentativas e envolvimento de algumas pessoas para a viabilização desse resgate, a parceira Cláudia Rimini colaborou com a doação de uma quantia que possibilitou a ida de três membros da equipe do Rancho dos Gnomos para Vitória, assim como a reforma da carreta de transporte para o animal e a contratação de um caminhão guincho, no qual foi levada a carreta até o Espírito Santo, bem como onde foi trazido o animal na vinda para São Paulo. Os parceiros Verup, Marcos, Firmenich e Gláucia (do Buffect Via Lactea) também colaboraram para que o resgate do animal fosse possível.


Pois bem. Na madrugada do dia 17 de março de 2007, parte rumo ao Espírito Santo a carreta de transporte do animal, levada por um caminhão guincho. No mesmo dia, à noite, partem rumo a Vitória os veterinários Salvador Felis e Cláudia Araújo, acompanhados de Renata de Freitas Martins, responsável pelo jurídico, já que aparentemente alguns empecilhos jurídicos poderiam ocorrer no local, uma vez que o então depositário do animal estava apresentando resistência para entregá-lo.

Após uma "emocionante" viagem, que, por conta dos gravíssimos problemas aéreos que então ocorriam no Brasil, durou mais de 6 horas, a equipe do Rancho dos Gnomos chega ao aeroporto de Vitória quase às quatro horas da madrugada já do domingo, dia 18, juntando-se a Marcelo, que gentilmente colaborou in loco conosco, providenciando os últimos detalhes a ele requeridos, transporte pelas cidades e até mesmo fazendo chá, que mais tarde seria servido ao animal.

Dormir? Não restava mais tempo. Equipe Rancho dos Gnomos encontra-se com o técnico Vinicius do Ibama e parte para Cariacica, local onde estava o leão. Por lá, algum tempo depois, também se juntam a nós a Polícia Ambiental, o Chefe de Fiscalização do Ibama, alguns moradores locais emocionados com o - finalmente conseguido - resgate do animal, imprensa e, claro, alguns outros moradores pouco esclarecidos sobre a situação insalubre que o animal vinha sendo submetido, os quais eram contra a partida do mesmo, inclusive um senhor com uma "bela peixeira".


Foi feita uma última tentativa amigável pelo Ibama com o então depositário do animal para que o entregasse, a qual restou infrutífera e, por decorrência, apenas por meio de arrombamento seria possível que o caminhão com a carreta de transporte do animal pudesse entrar no local.

Assim, após Polícia Ambiental, Ibama e equipe técnica do Rancho terem de fato atestado situação de maus-tratos ao leão, foi lavrado BO e então se procedeu ao arrombamento, já que estávamos diante de situação de flagrante delito e, portanto, sendo este ato totalmente legal.


Muito floral (cedido gentilmente por O Alquimista, nosso parceiro de sempre!) foi ministrado no leão, que foi acalmando-se de maneira impressionante.



Enquanto isso, uma equipe viabilizava o "encaixe" da porta da carreta do animal com a porta do local onde ele estava, o que possibilitaria a tentativa de fazê-lo entrar no transporte sem a necessidade de sedação (já que havia uma grande preocupação se o animal agüentaria ser sedado, devido ao seu estado de magreza visível).





A presença de moradores no local já era imensa. Então, o mais rapidamente possível, o transporte do animal foi colocado sobre o caminhão guincho e, com a escolta da polícia, deixamos o local com destino a um lugar mais tranqüilo, onde o animal pudesse ser alimentado e tomar água, visto que o calor era extremamente intenso.



Assim, a alguns quilômetros do local, foi feita uma parada estratégica em um grande posto de gasolina, onde havia muitas árvores, com belas sombras. "Nosso" garoto já estava totalmente tranqüilo e pôde ser alimentado. Recusou a água colocada e, então, misturou-se no recipiente o chá de valeriana feito. Poucos instantes depois, lá estava o querido leão abraçado ao recipiente e ingerindo todo o chá. Uma cena impagável.

Hora de partir, pois um longo caminho de volta nos aguardava. E assim foi: longas horas de estrada, parando-se praticamente de hora em hora para monitoramento do animal. E eis que, finalmente, no começo da noite de segunda-feira, dia 19 de março de 2007, chega mais um ilustre morador ao Rancho dos Gnomos.

Toda a equipe do Rancho passa a conhecer o tão esperado e querido leão, que é imediatamente rebatizado de Darshan (todo animal que chega ao Rancho com histórico de crueldade e maus-tratos recebe novo nome, pois temos a intenção de que não mais associe seu nome a tudo o que já tenha passado!).


Depois de uma longa, porém ótima viagem, alimenta-se bem e é muito querido.

Curioso demais, em seus primeiros dias de Rancho, observa tudo atentamente e tem seu primeiro contato auditivo com outros leões.


Darshan, querido curioso, seja muito bem vindo à sua paz!



Veja como foi a transferência para a quarentena.

Veja como foi o procedimento de esterilização.

Veja como foi a sua soltura no recinto, junto de Gaya.