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O último resgate de 2011

por Silvia Pompeu

Em 29/12/2011, por volta das 20:00hs, em meio à correria diária (mamadeiras, alimentação, medicamentos, curativos, banhos, etc...), recebemos um chamado de socorro.

Desta vez, era uma pessoa que, além de consciente, teve a coragem de denunciar uma terrível agressão contra um cão. A pessoa relatou que sua vizinha passara o dia espancando o seu animal, situação corriqueira nessa residência. Foi-nos informado que a Polícia já tinha sido acionada, mas quando a viatura chegou ao local, tudo estava em silêncio e no escuro. O animal em questão era uma amiguinha pretinha e sem raça definida que toda vez que saia à rua, era violentamente colocada para dentro aos gritos e, assim que adentrava o portão da residência, se ouviam muitos choros e gritos do animal, bem como um barulho típico de espancamento.

Nesse dia, pode-se notar que esses terríveis sons aconteciam de tempos em tempos. Nervosa e angustiada, a pessoa denunciante fez diversos contatos com os órgãos oficiais, mas sem sucesso.

Ao ouvir tal relato, Marcos imediatamente organizou todo o necessário para averiguação de tal barbaridade: entrou em contato com a delegacia da região e falou com o delegado de plantão, acionou a Polícia Militar, a mídia, a bióloga do Rancho, Andréa Freixeda, e veterinários ficaram a postos. Ele comunicou-se com a pessoa denunciante informando que estávamos a caminho e assim foi feito.

Por voltas das 22:00hs já nos encontrávamos no 75º DP com a autoridade de plantão, Dr. Leonardo, duas viaturas da Polícia Militar e com o pessoal da TV Record. Com um rápido planejamento, seguimos para o local indicado pela pessoa denunciante. No caminho, nos encontrávamos tensos e preocupados, pois sendo confirmada a denúncia, o animal estava em risco.





Por volta das 23:00hs, já no local indicado, Marcos bateu palmas, mas o local continuava escuro e em silêncio. Havia um portão fechado com plástico escuro e com uma pequena abertura pela qual a amiguinha que supostamente sofria as agressões colocou o focinho. Somente quando os polícias acionaram as sirenes, foi que as luzes do local se acenderam e a senhora nos atendeu.













Com respaldo da polícia, câmera registrando tudo e autorização desta senhora, adentramos no quintal da residência e, para a nossa surpresa, havia mais cães; dois bebês e um poodle branco encolhido com o seu pêlo todo molhado com forte odor de sua urina. Impossibilitado de andar, ele se arrastava pelo chão áspero e molhado, tremendo compulsivamente toda vez que a mulher se aproximava dele. Um cabo de vassoura encostado na parede foi observado por nós.



















Enquanto a Andréa examinava esse animal, Marcos relatava à senhora o porquê de estarmos lá. Visivelmente aparentando estar sob efeito de alguma droga, aos gritos ela negava a denúncia, xingava e mau dizia a vizinhança. Ao ser indagada sobre a finalidade do cabo de vassoura, ela desconversou. A vizinhança observando a operação, confirmava a denúncia: “Todos os dias essa cena de espancamento se repete”.

Ficou claro que o animal espancado não era a nossa amiguinha sem raça definida, e sim esse amiguinho poodle (que até então a vizinhança desconhecia).

Enquanto Andréa ficou ao lado do cãozinho maltratado, eu e o Marcos conversávamos com os policiais para adotarmos o melhor procedimento, tendo-se em vista a necessidade urgente de retirar esse animal dos domínios da agressora. Porém, a tal senhora alegava que este poodle não era dela, que o retirou das ruas atropelado há dois meses. Com esta afirmação e não tendo provas flagrantes do momento das agressões (fotos e vídeos), só nos restava momentaneamente o caminho do diálogo.

Os policiais conversaram com a senhora sugerindo que ela entregasse voluntariamente o animal, caso contrário seria encaminhada à Delegacia de Polícia onde seria lavrado um boletim de ocorrência com acusação de maus tratos. Sem resistência, ela permitiu que retirássemos esse amiguinho tão necessitado de ajuda. Ela foi qualificada e avisada que violência contra animal é crime.























O nosso amiguinho recebeu florais e, ao ser colocado na caixa de transporte do Rancho dos Gnomos, o seu relaxamento e tranqüilidade eram visíveis. Logo ele adormeceu.



Já às 02:00hs da madrugada, de volta ao Rancho dos Gnomos, por orientação do veterinário Dr. Robson Majela, Marcos ministrou medicamentos para aliviar a dor do cãozinho, deu banho, tosou, alimentou e o colocou em uma confortável e aquecida casinha.

Após ser tosado, constataram-se hematomas pelo corpo todo, principalmente acima do olho e coluna.























Ao término deste resgate e dos primeiros socorros, já passavam da 05:00hs quando Marcos e eu nos recolhemos para descansar.

Nosso amiguinho vai passar por procedimentos (raio x de coluna, exames de sangue, urina, etc.) para diagnosticar o seu real estado de saúde.

Lamentavelmente, essas barbaridades contra os animais ainda continuam, porém o aumento da conscientização e a compaixão da sociedade pelos animais se fazem presentes, permitindo-nos resgatar essas vítimas.

Deixamos expresso a nossa gratidão por essa pessoa denunciante e por todas as demais pessoas preocupadas e empenhadas em salvar vidas, bem como a Polícia Militar, Polícia Civil e TV Record que nos apoiaram nesta operação.

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Em resposta a alguns questionamentos levantados:

Sobre os demais animais que não foram resgatados, a situação é a seguinte: quando o Rancho e a policia chegaram até o local, foi tomado conhecimento de que havia uma cadela pretinha com dois filhotes (aparentemente bem) e um poodle machucado sem conseguir andar que, segundo a "tutora", teria sido resgatado por ela após encontrá-lo atropelado. O Rancho só conseguiu levar o poodle na hora porque foi uma doação espontânea dela; caso contrário, teria de ser lavrado um B.O para só depois tentar resgatá-lo.

A vizinhança não tinha conhecimento deste poodle, apenas ouviam os barulhos vindo da casa e tinham conhecimento desta cadela pretinha vista algumas vezes sendo colocada pra dentro da casa de forma agressiva e aos gritos. O que acontecia dentro da residência não se tem registros em vídeos, fotos ou qualquer outra prova incontestável.

A interpretação de que houve agressão ao poodle foi fundamentada na declaração dos denunciantes e na própria experiência da equipe em situações similares; no entanto, provas factuais que pudessem embasar a solicitação de uma medida legal mais contundente naquele momento não haviam. O animal ainda irá passar por exames e somente após os resultados é que teremos algum parecer sobre o seu real estado de saúde e, ainda assim, nem sempre é possível provar se houve atropelamento ou espancamento.

O que sabemos é que quem estava debilitado e necessitando de ajuda urgente era o poodle branco. A cadela pretinha era a mãe dos dois filhotes, sem indícios de maus-tratos nem fisicos nem psicológicos, pois demonstrava a todo momento carinho pela tutora, pulando em seu colo e abanando o rabo; algo muito diferente do caso do poodle, que tremia em vê-la. Sem provas concretas, apenas a palavra dela contra a da vizinhança, fizemos o que era possível no momento.

O caso está sendo acompanhado pelo Rancho e pela vizinhança. A mulher foi qualificada pela policia e alertada sobre as consequências de crimes de maus-tratos aos animais.

O nosso amiguinho poodle se encontra bem, muito mais tranquilo e, após o período de exames, ele estará disponível para adoção. Contaremos com a valiosa ajuda de todos para conseguirmos dar um lar digno pra esse cãozinho.

Um forte abraço,
Família Rancho dos Gnomos